domingo, 19 de dezembro de 2010

Você?

Entro pela porta e vejo as mascarás, todos me olham com surpresa por ser o único sem disfarce, não sabem que essa é minha mascara do dia-dia. Na multidão vou procurando algo que me faça lembrar você, cabelos, algum olhar, roupas. Não te vejo.
O desespero começa se espalhar pelo meu corpo, será que cheguei tarde de mais. Pego o celular no meu terno molhado uso a discagem rápida pra ligar, seu telefone chama em vão. Nestas frações de segundo meus olhos percorrem a festa a fantasia onde todos me fitam. A decoração árabe com grandes narguiles e lenços espalhados pela sala me fazem ter devaneios sobre nosso passado, nossas viagens, onde você estará.
Saio desenfreado pela porta, desço a escadaria correndo tudo passa tão rápido que minha mente não consegue absorver tais fatos. Quando percebo estou do lado de fora do prédio à chuva fria volta a molhar minhas roupas, estou aqui perdido sem rumo sem saber onde te procurar. Eu preciso explicar que você entendeu errado.
Quando dizia que não precisava mais de você na realidade queria era te amarrar em meus braços num grande abraço, quando dizia que sua ausência não era mais sentida eu na realidade queria dizer que quando você esta ausente eu não me sinto mais vivo.
Seu olhar, sua pele, sua vida são minhas essências vitais. É o que me torna um ser humano. E agora te perdi . O frio vai congelando meus ossos e mostrando o quanto sou fraco sem você, tento te ligar mais uma vez, a caixa postal é a única que me responde.
Os carros as luzes da cidade, casais que passam despercebidos entre o aglomerado de pessoas não dão conta do sofrimento do homem de quarenta anos que os observa com inveja no olhar. Pois no fundo eu sei que tudo esta perdido entre nós.
Um ônibus para, em seu ponto, eu saio correndo em meio as pessoas para virar um dos seus passageiros apesar de não imaginar o destino que o mesmo me leve. Entro, sinto olhar pesado dos passageiros sobre mim porque todos me observam?
Olho meu reflexo nas janelas estou imundo com a mistura de barro e sangue, as lembranças torpes do início da noite começam a me torturar mais uma vez. Lembro de nossa briga , a faca, seu sangue no tapete eu correndo por ajuda, a festa ! Eu quero esquecer eu quero esquecer, cadê você....

Nenhum comentário:

Postar um comentário